As fases do manejo da Castanha-do-Pará



Castanha-do-Pará



A castanheira, árvore de grande porte nativa da região Amazônica, pertence a família Lecythidaceae, é uma das mais importantes espécies de exploração extrativa da Amazônia. Tem participação significativa na geração de divisas para a região, com as exportações de suas amêndoas para os mercados interno e externo.


Sua floração ocorre geralmente nos meses de agosto a outubro e a colheita nos meses de janeiro a março. Seu fruto é um ouriço, duro com até 15 cm de diâmetro e contém em seu interior de 12 a 20 castanhas . Suas amêndoas ricas em proteínas e o óleo, fazem parte de um numeroso cardápio regional por serem muito apreciadas na nossa região.


Preparo das mudas


As cascas das castanhas devem ser rachadas em uma prensa manual e depois retiradas as cascas com um alicate adaptado, sem ferir as amêndoas. A partir desse momento as amêndoas receberão um tratamento com fungicida cicatrizante à base de Benomyl em suspensão a 0,3% (3g/litro), durante noventa minutos. A cada dez minutos, a suspensão deve ser agitada para que o produto não fique acumulado no fundo do recipiente. Em seguida as amêndoas devem ser dispostas em folhas de papel-jornal e mantidas à sombra durante 2 horas, para que ocorra o enxugamento superficial das amêndoas e possam ser semeadas.


Semeio


É feito um substrato de areia e serragem na proporção de 1/1 em uma sementeira elevada, totalmente protegida por telas nas laterais e uma proteção nas pernas para evitar o ataque de roedores que serão atraídos pelo forte odor das amêndoas.

O teto deve ser totalmente coberto com plástico preto evitando a penetração do sol e o encharcamento causado pela chuva. Deve-se proteger a sementeira contra formigas e cupins que podem corroer totalmente as amêndoas.


O controle é feito com inseticidas. Deve-se molhar as plantas da sementeira e do viveiro de dois em dois dias, deixando o solo sempre úmido e não encharcado. A amêndoa será semeada em pé com a parte que apresenta um pequeno bico para cima e a parte mais achatada e gorda, para baixo.


Viveiro


Deve-se iniciar o preparo do solo e o enchimento dos sacos enquanto as sementes germinam, o que ocorre aos 25 dias. O substrato deverá ser composto de 8 partes de terriço natural, mais uma parte de serragem fina curtida, mais uma parte de esterco de galinha puro ou duas partes de esterco de curral mais 1kg de calcário e 0,5kg de Super Fosfato Triplo para cada 100kg da mistura. Após encher os sacos regar com água bem durante alguns dias para evitar a fermentação na repicagem.


Efetuar a repicagem a partir dos 40 dias, com as mudas com mais de 5cm, que já tenham lançado o pivotante. As mudas sem os pivotantes deverão voltar para a sementeira, porém num local destacado para que possam permanecer mais 20 dias, a partir desse período é aconselhável descartar as que não lançarem raiz.


Feita a repicagem, as mudas irão no saco para o viveiro, onde os cuidados contra a catita e formigas deveram ser maiores. As catitas, a propósito, atravessam buracos de até 3cm de diâmetro e roem telas plásticas como o sombrite. Em relação aos sacos devem ser de politileno preto, furados de fábricas, medindo 30cm x 25cm, pois estes suportarão as mudas por até 12 meses. Período suficiente para o ponto de campo.


Logo após a repicagem, as mudas no viveiro devem ser protegidas do sol com plástico preto por pelo menos 15 dias e daí em diante com meia-sombra até o ponto de campo.

Deve-se proteger as mudas de chuvas intensas que causem encharcamento, utilizando-se de plástico no viveiro no período chuvoso, porém sem deixar que as plantas fiquem estioladas.


Transporte de Mudas de Castanha do Pará
Foto: Transporte de Mudas de Castanha-do-Pará


Plantio


As mudas deverão ser selecionadas, aproveitando as mais desenvolvidas para o plantio, que deverá ser feito com plantas de pelo menos 40cm de altura, com o mínimo 15 folhas permanentes, o que ocorre a partir de 10° mês. As plantas menos desenvolvidas deverão permanecer no viveiro para o próximo período de plantio.
Deve-se molhar bem as mudas antes de ir para o campo, isso impedirá que a terra se quebre quando for retirado o saco para o plantio. A muda deve ser enterrada 4cm além do saco e aperte bem o solo, coloque então capim seco ao redor da planta. Isso fará com que a planta aproveite melhor a água das chuvas por um tempo maior e impedirá o ressecamento do solo pelo sol, a essa prática chamamos de cobertura morta.

A visita a viveiros e projetos de plantio, é fundamental para quem pretende iniciar um plantio.